segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Em dias em que ando bipolar e instável há muito poucas coisas que me transmitam alguma paz ou que me acalmem. Normalmente são músicas e ouvi-las muitas vezes é indicativo de que ando inquieta. Esta tem estado no repeat. Passou de música 'pós-missão' para 'música-para-acalmar-em-qualquer-situaçõe-e-todos-os-dias'.



Note-se que era 'minha' antes de ser da novela.

Carlota

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ceu na terra

Começo este blog com este titulo pois foi o titulo que pensei para o blog, mas mal me preparava para o dar como definitivo a Carlota lembrou-se de um muito melhor (que e o actual titulo do blog).
Começo por aqui porque como acabei de dizer ja me preparava para o dar como definitivo, algo que tenho tendido a fazer nos ultimos tempos, dar as coisas como certas e definitivas, o nome do blog.
Desde sempre gostei de ponderar as minhas decisoes, os meus actos, toda a vida quis controlar-me a mim e as pessoas a quem as minhas decisoes afectavam e com isso esperava poder antecipar as reaçoes que delas advinham. Se aprendi algo, foi que cada acto e efemero assim como as suas consequencias, nao passa de uma questao que o proprio tempo acaba sor superar e necessariamente por perante nos novas questoes novos desafios.

Tendo assim introduzido a razao para o titulo deste texto, passo agora a falar da sua essencia..
Ceu na terra significa, para mim, um dos maiores obstaculos que podem ser postos a alguem que procura "estar" e "viver" com Deus no seu dia a dia, a alguem que no seu pragmatismo tende a prever e justificar as razoes pelas quais O procura e porque age em funçao de o que Ele iria exigir de cada um.
Neste ultimo Verao foi uma surpresa para mim ser capaz de o sentir tao em mim na minha vida do dia a dia.. Estava com a cabeça sem capacidade para filtrar o "coraçao" e tudo o que queria nao era mais do que sair de mim, fugir das reaçoes as acçoes que nao pude nem nunca poderia prever, e desde que "parti" do Obradoiro (na chegadaa a Santiago e partida para o Meu verdadeiro caminho) que nao me sentia em Comunhao com Ele, e foi entao que, depois de me aperceber da fugacidade daquela alegria, me apercebi que o desafio e estar com ele nos momentos da nossa vida em que nao e tao facil "senti-lo" (como enquanto peregrino), e fazer de cada acçao uma razao para que cada bocadinho de "terra" que pisamos,quer a estudar para um exame, quer a estar com quem ainda nos nao e facil pois o tempo ainda nao passou, que simplesmente no correr do dia a dia, seja o ceu que e cada momento que ao viver-mos, o vivemos por Ele.

Da para perceber o porque de ter concordado com a Carlota e dado este Nome ao blog. Acabei de expressar da forma mais simples uma das confusoes que mais me deu "luta a organizar"..
E por estes bocadinhos de "ceu na terra" que estou a escrever, por estes bocados em que as confusoes fluem, e passam a fazer sentido para mim.

Com muitas mais "Confusoes que andam ca dentro" escrevi aqui hoje, confusoes essas que esperam para passar ao papel, ou simplesmente passar por mim.

Tomas
Começo este blogue e um novo (espero) capítulo da minha vida encerrando um outro. O de Missão...fechando ,não, encostando. Vivendo outras páginas, outros lugares, outras gentes e outros momentos. Sendo um novo eu. Um eu melhor e maior. Encerro-o com o meu testemunho de Missão.

"Este ano tenho mais dificuldade em escrever o meu testemunho de Missão. O diário está vazio de palavras e de histórias. Sinto que o meu verdadeiro testemunho de Missão são rostos, sons, momentos e não consigo transmitir nada disso para papel. Para além disto falta tranquilidade e disponibilidade para parar e pensar sobre Missão....dói maningui (muito). Dói por tudo o que vivemos, por tudo o que sentimos, por todos os que ficaram lá. Achei que iria ser mais fácil... Mas há dias e momentos em que o coração fica tão imensamente pequenino. E não sei como calar as saudades e não sei como disfarçar os silêncios que se vão instalando em mim. E queria voltar, E queria ficar (Lá). E não quero estar aqui, E não quero ver estas pessoas... E, depois de tudo isto, volta o esforço de integração e de entrega. Começam a haver momentos menos forçados e já vai custando menos. um dia sairão tão natural e magicamente como Lá. Acredito piamente nisso(ou preciso mesmo de acreditar nisso).

Quando se percorre duas vezes o mesmo caminho correm-se vários riscos: o risco de acharmos que já sabemos tudo sobre aquele caminho, o risco de tropeçarmos nas mesmas pedras onde antes já tínhamos tropeçado ou o risco de já não saborearmos o caminho pelo que é, mas pelo sabor que já estava entranhado em nós. De volta à minha Maxixe volto-me a deixar cativar por ela e pelas pessoas que nela vivem. Passando menos tempo a olhar para cima à procura de estrelas e passando menos tempo a reparar nos meus próprios pés descubro que as verdadeiras estrelas são os donos dos pés que caminham junto aos meus e aqueles que vou descobrindo, tocando e procurando tocar ao longo do caminho. Neste esforço de aproximação e de chegar ao outro pomo-nos ao dispor e procuramos cativar. Acabamos por ser cativados primeiro. É como dar. Recebemos sempre muito mais do que damos, por muito que se dê (e nós demos) recebemos sempre mais – “T.I.A (This Is Africa)”. Lembrei-me tantas vezes desta expressão. Há coisas surreais e revoltantes que só em África acontecem (ou que acontecem mais lá) mas há cosias tão bonitas, tão puras que só lá as vemos, sentimos e vivemos - pelo menos verdadeiramente( Amor, Deus, entrega...).

Descobri tanta coisa este ano.. Descobri que há coisas que são mesmo sobrevalorizadas...como a cor de pele. A vida inteira me disseram que as pessoas em África se chamam pretos( os ditos pretos não gostam de ser chamados assim; preferem negros). A mim, Lá, diziam-me que sou branca, mas que a minha alma é moçambicana - o sinal é evidência disso. Não sei, nem me interessa. Gosto de homens e de mulheres sem cor, sem continente, a Maxixe está repleta de pessoas dessas. Pessoas que ocupam um lugar fora de si mesmas, lugar esse sem limites de tempo, de espaço ou de lógica - o amor.

Descobri ainda que a Maxixe será sempre a minha casa e que me irá sempre envolver e prender, e que haverá sempre mais por conhecer e por amar. Descobri em mim uma capacidade de amar e de me entregar ao outro que não conhecia e o resultado é um amor que não cabe em mim e que não me dá paz. Nesta descoberta de mim e do outro vi e senti Deus tantas vezes e em tantas pessoas, céus! Ele é tão visível Lá.

Com os meus ermãos descobri que cada um de nós é um dom dEle e que os diferentes ritmos e os diferentes tipos de passos só enriquecem a caminhada quando conseguimos encontrar a “nossa melodia” …essa melodia, só é possível com Ele e por Ele. De cada um deles recebi alguma coisa que acrescentei à minha personalidade, neste esforço de ser mais e melhor que é a vivência GAS Africana. Nada do que vivi e do que fiz faria algum sentido se não partilhado nem vivido sem eles os cinco. Nyibonguide (obrigada). Quero que saibam que ‘são importantes para mim’.

Ermã Lottie

Porto, Outubro de 2009"